Freguesia de Zambujal - Condeixa-a-Nova
  
                               
Situada numa pequena elevação na margem direita do rio dos Mouros, a freguesia de Zambujal é do domínio do concelho de Condeixa a Nova, de cuja sede dista cerca de 9 quilómetros, pertencendo ao distrito de Coimbra; o seu orago é Nossa Senhora da Conceição.
O povoamento no território desta freguesia, supõe-se que seja anterior ao século XII ou até de maior antiguidade, a julgar pela vizinhança dos montes “Germanellos”, ou seja “irmãozinhos”, assim denominados por serem semelhantes. O nome  “Gerumelo”, é atribuído ao monte mais a sul, que foi em tempos chamado de “Germanelo” mas ambos os montes estão envolvidos na lenda de Melo e Gerumelo: dois ferreiros irmãos e gigantes, que habitavam cada um no alto do seu monte; o Gerumelo no do Sul e o Melo, no outro. Trabalhavam nas suas forjas, mas tinham um único martelo, o que não lhes causava dificuldades. Como eram muito fortes, atiravam o martelo de um para o outro monte, conforme as necessidades do trabalho. Um dia porém, o Gerumelo encontrava-se muito mal humorado quando o irmão lhe pediu o martelo e com tanta força o atirou que ele no ar se desencabou; encontra-se na falda do monte do Castelo, perto da povoação da Fartosa ou “Ferretosa”, uma nascente de água férrea, aparecida no sítio onde caíu a maça de ferro e mais longe, ao Norte da Fonte está a imponente povoação do Zambujal, que deve o nome ao zambujal nascido no local onde caíu e se enraízou o cabo, que era de zambujo. Contudo, a freguesia de Zambujal só terá sido fundada após a reconquista do vale do Tejo, beneficiando da protecção do castelo afonsino do monte Jerumelo, pois não é possível afirmar a sua existência nos princípios da Nacionalidade, visto que era uma região frequentemente percorrida e devastada pelas incursões árabes contra Coimbra.
A mais antiga referência à freguesia que se conhece, é a de um documento que data de 1258, e refere uma sentença que regula a percepção do dízimo no lugar de “Arconcen”, entre a igreja de Condeixa e o Zambujal. No mesmo século, em Agosto de 1293, a freguesia é citada novamente, noutro documento, em que o prior de Santa Cruz de Coimbra, D. Durando, doa ao seu mosteiro a herdade que possuía na povoação.
Existe um foral manuelino dado a “Azambujal”, registado no “Livro da Estremadura”, que alguns estudiosos afirmam que é referente a esta freguesia “Zambujal”, do concelho de Condeixa a Nova. É um facto que o topónimo aparece muitas vezes e em diferentes documentos, com as formas de “Azambuial”, “Azambujal” e “Azãbujal”, daí que surja esta indecisão histórica acerca da freguesia. O Foral foi lavrado em Lisboa, a 23 de Agosto de 1514.
A igreja de Zambujal figura no “Catálogo de Todas as Igrejas e Comendas”, que refere todas as que existiam no reino entre os anos de 1320 e 1321; pertencia ao Arcediago de Penela e foi ampliada em 1528. No ano de 1708 era sede de uma vigairaria e em 1768 foi elevada a priorado de apresentação do Convento de Santana, em Coimbra.   
 
Zambujal pertencia ao termo de Germanelo, mas em 1527 já fazia parte do de Rabaçal, tendo poucos anos depois passado para o de Coimbra. Era povoação da província da Beira em 1811, com juíz ordinário da comarca e provedoria de Coimbra, a cuja diocese pertencia também, tendo como donatária a Universidade. Passou novamente para a dependência de Rabaçal vinte anos depois, por esta localidade ter adquirido maior desenvolvimento. Extinto o concelho de Rabaçal, a 31 de Dezembro de 1853, fica a freguesia de Zambujal a pertencer ao concelho de Soure, passando por Decreto Lei de 24 de Outubro de 1855, para o actual concelho: Condeixa a Nova.  
Zambujal é uma “terra” em que “a oliveira cria-se nas pedras e o trigo, o centeio, a fava, e o grão de bico parece que se enraízam no cascalho. Os montes são para o gado que dá leite, para o queijo, e lã. Os lacticínios que são conhecidos por “Queijo Rabaçal” são um dos melhores produtos de leitaria que se vulgarizaram no país”; assim, a freguesia continua a subsistir destas actividades, a agricultura e a pecuária, e outras mais, como a extracção da pedra e o pequeno comércio.
A igreja matriz, a Ponte da Fonte Coberta e o moínho de vento na Serra de Geneanes, constituem o património cultural e edificado da freguesia, que é dotada também de outros locais de interesse turístico como a Pista de Aeromodelismo da Póvoa da Pega e as Buracas do Casmilo.  

 
GLOSSÁRIO POPULAR
 
No decurso do processo e evoluir histórico as populações vão construindo a sua própria linguagem na qual avultam palavras que o tempo vai fazendo desaparecer, ou os valores incutidos nas escolas, nas crianças, permitem a sua subalternização. Antes que ocorra um fenómeno definitivo com essas características pensamos salvaguardar o mais possível desse linguajar popular, que, num caso ou outro, é comum às diversas regiões do país.
Se, por hipótese, houver conhecimento de termos diferentes agradecíamos a sua prestimosa colaboração.
 
Alcachaporrado – Aldeão. Inculto. Atrasado
Biqueiro – Guloso. Vaidoso
Cagulo – Cheio. Alto
Esfoira – Disenteria. Diarreia
Esfonar – Fugir. Desaparecer
Esquinado – Alcoolizado. Bêbado
Gaiola – Masturbação masculina
Ganipo – Pedaço. Bocado. Palhinha
Mantear – Lavrar. Arar a terra
Mazengo – Doente
Moroiço – Monte de pedras decorrentes da limpeza de um terreno agrícola
Prato de cozinha – Prato de sopa
Taleigo – Saco do pão ou da farinha
Ter uma nascida – Possuir um tumor ou tumefacção exterior
Vareia - Avaria



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